• Clau Gazel

América Latina 1960/2013: exposição de fotos na Fondation Cartier pour l’Art Contemporain

Começou ontem a nova exposição da Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, America Latina Photographies – 1960/2013. São fotos e trabalhos de mais de 50 artistas, nascidos ou que vivem ou viveram na América Latina, dentro os quais, 7 são brasileiros. Dividida em 4 setores, a exposição é tão complexa quanto à história dos países latino-americanos.

A começar pelas ditaduras políticas dos anos 60 e 70, que marcaram o povo pela violação de direitos básicos do homem. A extrema violência empregada pelos Estados, a repressão, a tortura e a execução sumária institucionalizadas: tudo isso está descrito e impregnado nas obras de diversos desses artitas, que viram na arte uma forma de manifesto, de denúncia e de imortalização do horror a que foram submetidas essas sociedades. Imagens e textos de jornais sensacionalistas, no caso da obra do argentino Juan Carlos Romero (abaixo), reproduzem a violência diária à qual o povo era submetido.


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Em outra parte da exposição, entitulada Mémoire et Identités, o que se vê são as sociedades latino-americanas em plena mutação, com os pés dentro da democracia, mas caracterizadas pelo desejo de não deixar o passado para lá, pela luta para que os horrores da ditadura não caiam no esquecimento, pelo repúdio à impunidade. Também é aqui que se vê a preocupação com as comunidades esquecidas, marginalizadas. Nesta parte insere-se o interessantíssimo trabalho da brasileira Rosângela Rennó, que recuperou fotos dos arquivos do antigo presídio do Carandiru. Rosângela se interessou sobre tudo pelas fotos de tatuagens dos presidiários e uma série delas está na Fondation Cartier.


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A questão da identidade dos países latino-americanos, bem como dos limites terrtoriais e os resquícios deixados pelo período colonial aparecem de forma marcante na Fondation Cartier. Dentre outros, chama a atenção o trabalho de Claudia Andujar que, carregando a bandeira pela defesa dos índios Yanomami na Amazonia, passou a catalogá-los, numerando-os e fotografando-os. Como relata a artista no vídeo que é exibido na exposição, essa numeração foi uma tentativa de salvá-los, objetivo diametralmente oposto àquele pretendido pela numeração dos judeus nos campos de concentração alemães durante a II Guerra Mundial. Assim, Claudia mescla sua história pessoal – parte de sua família foi exterminada nestes campos – com a do povo de uma país que a acolheu para sempre. Claudia é suíça, mas vive no Brasil desde meados de 1955.


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Cidades e metrópoles aparecem como outro tema de destaque. O crescimento desenfreado da população, o consumismo, a modernização, as políticas neo-liberais, a profunda desigualdade social e a violência tornam-se indissociáveis da vida nas grandes cidades desses países. Destaque para o vídeo/documentário Lost Art (de Louise Chin e Ignácio Aronovich), onde dois pixadores em SP falam sobre o desejo de aparecer, de ser alguém, e do espaço que este “arte perdida”ocupa em suas vidas. O papel da escrita e da publicidade na sociedade de consumo também é abordado, como na foto abaixo. Seria uma assinatura num talão de cheques capaz de “fazer dinheiro”? Esta e tantas outras questões sobre o passado, o presente e, sobretudo, o futuro da América Latina surgirão em sua mente após visitar a exposição. Vá com tempo e não deixe de assistir ao filme Revueltas (140 min; Fredi Casco) que está sendo exibido no subsolo.  Anote: Fondation Cartier pour L’Art Contemporain; 54 Boulevard Raspail; de 19.11.2013 a 06.04.2014; ter/dom. 11h20h; ter. até 22h; ingressos 10,50 euros; metrô Raspail/linhas 4 e 6.


Fondation Cartier America Latina 7

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