• Clau Gazel

Daido Moriyama em Paris

Nesta semana estreou a exposição de Dado Moriyama na Fondation Cartier pour L’Art Contemporain. Presente na vernissage no último dia 04, Dado explicou  – ou ao menos tentou faze-lo – o processo criativo e o trabalho que desenvolve pelas ruas do Japão.

Nascido em 1938 na cidade de Ikeda, Daido vive há muito tempo nos arredores de Tokyo e é em meio ao caos da capital japonesa que desenvolve seu trabalho. Formado em grafismo em 1959 Daido começou de imediato a carreira de fotógrafo. Testemunha de um Japão pré e pós Segunda Guerra Mundial, suas fotos transitam entre tradição e modernidade, mas sempre calcados no agora, no presente. Ele é um fotógrafo da cidade, que anda sem parar: “minha vida é andar.”

Sua metodologia é simples e seu objeto de predileção é claro: com uma máquina em mãos, logo cedo, antes mesmo de o dia clarear, ele percorre as ruelas do seu bairro Shinjuku, localizado na zona limítrofe de Tokio. Quando indagado acerca da escolha do objeto, pessoa ou cena a ser retratada, o fotógrafo não hesita  em dizer que não há propriamente uma escolha, um processo de reflexão preparado e estudado. O que conta é o instante, a realidade do momento preciso. Ele simplesmente dispara a câmera.

Logicamente que para uma exposição, ou para a elaboração de um livro, uma escolha posterior se faz necessária. Mas para Daido, todas elas tem um valor único, já que cada foto representa um instante preciso no tempo: “Se eu pudesse, incluiria todas em um livro ou numa exposição, sem excluir nenhuma delas. ”

Conhecido por transformar fotos originalmente tiradas em colorido em preto e branco, Daido explica que isso aconteceu por acaso, quando realizava uma matéria para a Playboy. Tendo inserido o filme errado na câmera, ele acabou fazendo em colorido, mas a matéria exigia que a foto fosse em preto e branco. Como o resultado o agradou, ele começou a aplicar o método constantemente. Mas para isso também não há uma regra, explica: “a foto preto e branco é cheia de poesia e erotismo no seu senso mais puro. A colorida é mais realista. Eu olho a foto e decido no momento se a farei colorida ou em preto e branco.”

Na Fondation Cartier, elas convivem perfeitamente lado a lado e colocam em evidência dois elementos indissociáveis do  trabalho do fotógrafo japonês: liberdade e instinto.


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Anote: Fondation Cartier pour l’art Contemporain – 261, boulevard Raspail – 75014; até 06 de junho de 2016; ter/dom. 11h/20h (ter até 22h); ingresso – 10,50 euros; metrô Raspail/linhas 4 e 6.

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