• Clau Gazel

E você, tem saudades de quê?

Desde que me mudei para Paris me fazem constantemente uma pergunta: e você, tem saudades de quê? E a resposta nada criativa, porém verdadeira, vem toda sentimental, já que são os amigos e a família que mais me fazem falta no dia-a-dia.  Mas sei que não é apenas isso. No entanto, por muito tempo eu não sabia definir exatamente de que tenho saudades. De volta ao Brasil para férias de 5 semanas, conforme encontrava um amigo aqui e outro ali, comecei a ter sinais dessa resposta.

Mal piso em solo brasileiro, e já estou sentada no Astor, para o almoço de sexta-feira. Nem abro o cardápio e vou logo pedindo picadinho.  E chope. Parece que ouço todos do bar gritarem em coro: bem-vinda. Deliro. Obrigada, pela recepção e pela comida.

Na semana seguinte, o querido São Cristóvão foi o escolhido para matar a vontade de comer bolinhos e pastéis. Vários chopes depois, saio feliz – mas não completamente satisfeita, já que a conta mirabolante nos surpreendeu com pasteizinhos não comidos. Discuto, para lembrar os velhos tempos de bar na Vila Madalena com o pessoal da faculdade.

Numa tranquila manhã de terça-feira, resolvo perambular pelo centro da cidade, aquele dos tempos em que eu percorria fóruns e mais fóruns. Sou tomada por um desejo incrível de comer picadinho. Não um qualquer. O picadinho da Dona Onça. E então me debruço no balcão do Bar da Dona Onça e mando ver uma caipirinha de tangerina, ma-ra-vi-lho-sa. E surge o dona da festa, o Sr Picadinho, que dá um show por seu tempero inigualável, com a carne macia, um pouco de ervilha, ovo frito cuja gema escorre e lambuza o arroz – ovo frito é para isso, não?!?! – e o tartar de banana que, com a fruta bem cortada e refogada na cebola, dá o toque de criatividade. Ô, coisa boa.


Mais um dia em São Paulo e, mesmo debaixo de vento e chuva fina na terra da garoa, luto por uma mesa no disputado Veloso: caipirinha de tangerina com pimenta, acompanhadas de coxinhas com casquinha crocante e miolo mole. Miolo mole tem quem nunca provou o famoso petisco. Um canequinha de caldo de feijão preto para espantar o frio. Chope, chope e chope.

No dia seguinte, rumo à Vila Medeiros. Um bando de mulheres desesperadas por um tal dadinho de tapioca do Mocotó, que faz par perfeito com o caju amigo. Na segunda etapa, o melhor escondidinho que já provei, dessa vez degustado com uma Original trincando, a cerveja mais gelada de toda a temporada. Vambora rumo ao Astor! Sim, tudo no mesmo dia, porque o tempo urge e não posso perder nada! Pasteizinhos de carne chegam tinindo à mesa, assim como o chope.


Até as famosas e deliciosas coxinhas – ou coxonas? – de Bueno de Andrada eu provei nas minhas andanças pelas bandas de Ribeirão Preto.

E ainda ficou faltando o bolinho de abóbora com carne seca do Pirajá.

Pois é. Tenho saudades disso: os amigos reunidos jogando conversa fora numa mesa de bar, chop trincando, caipirinha e muito, muito petisco! E você, tem saudades de quê?

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