• Clau Gazel

Eu brocanteio… e você, brocanteia também?

Eu não brocanteava, mas agora brocanteio. O bichinho me mordeu. No começo das minhas andanças parisienses, eu mal parava quando via uma “brocante”. Depois, acabou virando passeio, por pura curiosidade. Mas balbuciava, com um certo inconformismo: ah, eu não tenho olho para isso, não consigo escolher nada. Muita coisa, muita confusão. Que nada; eu não estava pronta.

Então, um certo dia, comecei a perceber o quanto eu gostava daquilo, que às vezes funcionava como aula de história, como caixa de curiosidades ou como detonador nostálgico. Ora é a cadeira de balanços da minha avó que me vinha à mente, ora o despertador em forma de caixinha, todo em couro, da tia avó mais fofa do mundo que fazia crochê como ninguém! E é dela também que lembro ao ver as colchas de quadradinhos mega coloridas espalhadas pelas barracas. Relógios de parede coloridos, banquinhos de fórmica e porta-ovo de arame em forma de galinha. Playmobil de circo, fazenda ou hospital. Até com a Barbie Face eu já topei por aqui.

É. Para curtir uma “brocante” eu simplesmente precisei de tempo. Do meu tempo para descobrir o quanto essa nostalgia me faz um bem danado. Do meu tempo para perceber que prefiro passear numa feira cheia de antiguidades – ou velharias, como preferir, senhor leitor –  ainda que não seja para comprar nada, ao me enfiar na Ikea e lotar um carrinho com 30 velas, 800 guardanapos e mais 90 itens. Do meu tempo para deixar o preconceito de lado e comprar algo de segunda-mão.

Foi Paris quem me ensinou a deixar essa minha besteira de lado, já que o costume de comprar coisas de segunda-mão era ínfimo quanto eu ainda vivia no Brasil. Depois veio o mega site que hoje todo mundo conhece e é lotado de marcas de grife. Culturalmente, a diferença é evidente. A prática está ligada a aspectos históricos e culturais como as grandes guerras e o consequente combate ao desperdício na Europa, bem como o desejo que se aproveitar ao máximo algo antes de descartá-lo. Essa tomada de consciência, hoje denominada consumo responsável, dissipa a prática entre as novas gerações que se preocupam com o futuro do planeta.

Há também outro aspecto interessante dessa mania tão europeia: o contato com um “brocanteur” pode ser uma viagem. Basta querer aprofundar nos detalhes de sua vida profissional ou de cada um de seus “tesouros”ou “achados”. Porque cada peça tem sua história e sua própria viagem. Ela por ter vindo de Lille, de Bruxelas ou do País Basco.

Mas afinal, de onde vem e o que quer dizer a palavra “brocante”? Artigo feminino francês que significa um encontro de “brocanteurs”. Do alemão “brocken” ou do holandês “brok”, que significa parte, pedaço ou fragmento  somado à “ante” que no latim quer dizer comerciante. Ou seja, este comerciante que vende um pouquinho de tudo.

E, quem curte fuçar e tem olhos para a coisa, aqui nada mais é do que um bom “chineur”. Ah, oui! “Chinner” é um verbo francês que designa exatamente isso: procurar objetos em “brocantes”.

Delícia é se perder em Paris, topar com uma “broncante”e começar a “chinner”. Quem sabe o bichinho não te morde também!


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Mas se quiser saber todos os eventos programados na cidade, acesse o site da SPAM (Société Parisienne d’Animation et de Manifestation) e fique por dentro da agenda.

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