• Clau Gazel

Les Cahiers dessinés: nova exposição na Halle Saint-Pierre

A Halle Saint-Pierre é uma galeria que não se insere no circuito cultura tradicional de Paris,  uma vez que, dedicada à arte bruta e à arte singular (pós-arte bruta), não exibe obras de movimentos artísticos conhecidos. A história da galeria remonta a 1985, mas foi em 1995 que, com a exposição “Art brut et Compagnie, la face cachée de l’art contemporain”, representou um marco na história da divulgação desta espécie de “arte marginal” na França e no exterior. Durante mais de 20 anos de história, a Halle Saint-Pierre, localizada aos pés das escadarias da Sacre-Coeur,  promove exposições temporárias que colocam em destaque obras de artistas do mundo todo, sempre com o intuito de privilegiar a arte no seu sentido mais amplo, descolada das amarras do academicismo ou de definições clássicas e tradicionais.

O espaço recebe neste primeiro semestre de 2015 uma exposição dedicada ao desenho: Les Cahier dessinés (Cadernos Desenhados). São mais de 500 obras expostas, reunindo 67 personagens dos quatro cantos do mundo e provenientes dos mais variados universos artísticos. Quem empresta o nome à exposição é uma editora parisiense criada no início dos anos 2000. O desenho, muitas vezes não reconhecido como arte em si ou sendo relegado à um papel secundário em relação à pintura e à escultura, ganha destaque na Halle Saint-Pierre.

Em dois andares, a exposição coloca lado a lado – e por que não dizer em par de igualdade? – desenhos de Victor Hugo ( 1802/1885) e Anna Sommer (1968), de Félix Vallotton (1865/1925) e Alejandro Canales Saenz (1974), de Sempé (1932) e Pierre Alechinsky (1927). Não há qualquer ordem cronológica estabelecida, nem classificação por temas ou qualquer outra que seja; as obras estão agrupadas apenas em torno do nome do respectivo artista e de um texto descritivo acerca da trajetória de sua trajetória.

Diante de um agrupamento tão eclético, esta exposição incita o visitante a se aprofundar em cada universo particular, a mergulhar na intimidade do artista, do escritor, do cartunista ou do doente psiquiátrico que, com seu caderno e seu lápis, edificou um mundo tão seu. Um mundo de sonho ou de realidade, de humor ou de terror, de acalento ou de angústia, de fuga ou de enfrentamento da realidade. É a partir desta pluralidade que a exposição eleva o desenho à categoria de  elemento essencial à alma não apenas do artista, mas do ser humano. Imperdível.


Victor Hugo, La maison à roue, non daté, plume et lavis d’encre brune, 26,3×17,3cm/Maison de Victor Hugo/foto Roger-Viollet, ©Maison Victor Hugo


Roland TOPOR, Happy End, 1977, 32,2x24cm/foto Widmer Fluri©Widmer Fleuri


Pierre ALECHINSKY, La diagonale de Montagu, 1990 © Pierre Alechinsky, ADAGP Paris 2015 / Coleção do artista/foto de Frédéric Charron


Anna SOMMER, L’allumeur, 2013, paper cortado, 40×27,5cm © Anna Sommer, coleção da artista

Anote: Halle Saint-Pierre; 2, rue Ronsard – 75018; seg/sáb. 11h/19h; dom. 12h/19h; até 14/08/2015; ingressos 8 euros; metrô Anvers/linha 2 ou Abbesses/linha 12. Nossa dica: chegue antes para um café; o lugar é simpático e merece ser explorado com calma, assim com as vizinhas escadarias da Sacre-Coeur.

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