• Clau Gazel

Mont Saint-Michel: é lindo, mas….

O Mont Saint-Michel é um dos pontos turísticos mais visitados da França. Não é para menos: com sua abadia construída no topo do rochedo e que chega a 170 metros de altitude, ele domina a paisagem, podendo ser visto à longa distância. Em 1979 foi classificado como Patrimônio Mundial pela Unesco, assim como toda a baía que o rodeia. Sendo uma das baías que mais sofre o efeito das marés no mundo todo, o fenômeno natural também faz do Mont Saint-Michel um lugar especial. Passeios guiados pelas areias que rodeiam o monte são organizados diariamente, colocando o visitante em contato com a história e a natureza abundante e diversificada do local.


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Sem dúvida um lugar mágico e lindo. Mas que tem seus defeitos. E ele se chama turismo. Turismo de massa, intensivo, exagerado ou outra palavra que melhor exprima o stress e a exploração aos quais pode ser submetido o visitante quando chega à um lugar como este.

A história da cidade remonta ao ano 709 D.C., sendo que a Abadia começou a ser construída apenas no Séc. X, empreitada que atravessou mais de 4 Séculos. Mas o turismo no local começou a ser explorado apenas no Séc. XIX. Hotéis, restaurantes e comércios se instalaram ali. E a partir de então, não parou de aumentar, para chegar atualmente nos seguintes números:

– 3,5 milhões de visitantes por ano;

– 20.000 visitantes diários, nos dias de alta temporada;

– 4.200 locais no novo estacionamento para veículos de passeio;

– 12,50 euros pelo estacionamento para os carros de passeio (24h): quando foi criado, em 2012, o preço deste estacionamento era de 6 euros. Conta boba: o preço dobrou. Mas a navette, ônibus que leva os visitantes do estacionamento até o monte, é “gratuita”;

– 22 moradores habitam o Monte;

– 1 Km quadrado é a área da cidade;

– aproximadamente 1.700 metros é a distância a percorrer a pé pelo visitante que não quer pegar a “navette”: às vezes a fila é grande;

– 80 milhões de euros por ano é o que o turismo rende à cidade (estudo de 2008 -Réseau des Grands sites de France);

– 40 euros é o preço de alguns dos omeletes no mais famoso restaurante do local, La Mère Poulard;

– 50 mil euros é o valor da multa à qual Éric Vannier, proprietário do grupo La Mère Poulard (ele possui também um hotel e uma fábrica de biscoitos também, que são vendidos em lojas espalhadas pelo Monte), foi condenado por privilegiar seus negócios durante seu mandato como prefeito do Mont Saint-Michel. Segundo a acusação, ele teria deslocado o local de estacionamento das “navettes” para que elas parassem em frente aos seus estabelecimentos, fazendo inclusive com que os visitantes fossem forçados a andar mais (decisão em Apelação em 24.11.2014; a multa em primeira instância havia sido de 20 mil euros e o tribunal a aumentou);

–  durante 24 anos Éric Vannier exerceu a função de prefeito;

– 220 milhões de euros foram gastos no projeto de reestruturação da baia (o movimento das marés causava o acúmulo de areia na região do Monte, dificultando o acesso ao Mont Saint-Michel). As obras ainda não foram finalizadas e há experts que dizem na imprensa francesa que tudo foi mal feito. Os tratores ainda estão por lá. E suas marcas também. E os visitantes, não param de chegar.


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Os dados estão aí. Cabe a cada um a decisão de ir até lá ou não. Estive lá uma vez, me senti explorada e até sufocada pela imensa quantidade de gente e de tranqueiras sendo empurradas goela abaixo dos turistas. Ver o Mont Saint-Michel de novo, para mim, só de longe. Ele é lindo, silencioso e mágico. À distância.


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