• Clau Gazel

Nos tempos de Klimt: nova exposição em Paris

A Pinacothèque de Paris dedica novamente uma exposição à Art Nouveau  – há dois anos Art Nouveau e Art Deco ocuparam as duas salas de exposição do local. Nesta ocasião, porém, a Pinacothèque se debruça em um período bastante peculiar do movimento artístico, desenvolvido em Viena e para o qual o papel de Gustavo Klimt foi decisivo. Trata-se da chamada Secessão de Viena, movimento surgido ao final do Séc. XIX que, em continuidade à Secessão de Munique , tinha como objetivo quebrar as barreiras do academicismo que vigoravam no cenário artístico europeu naquela época. Enquanto o movimento alemão nasceu em meados de 1892 e visava basicamente o caráter xxx, a Secessão de Viena surge em 1897 com objetivos mais amplos e bastante definidos. Fundado por arquitetos e artistas plásticos e tendo Gustav Klimt como presidente, para atingir seu objetivo maior de criar um novo tipo de arte, ampla e total, desvinculada dos salões oficiais, o grupo criou um local de exposições, denominado Palais de la Sécession (projeto de Joseph Maria Olbrich). A abertura de mentalidade foi o motor do grupo, que incentivou a troca de ideias e experiência entre artistas de diversas nacionalidades. A crítica aos movimentos dominantes não se teciam na seara estética, mas sobretudo no universo das ideias. Novos materiais, novas formas e muitos ornamentos resultaram num trabalho bastante peculiar, embora ainda guardassem semelhanças com a Art Nouveau da escola parisiense.

Gustav Klimt (1862/1918) esteve à frente do movimento e seu desejo de mudança o fez levar adiante seu novo estilo, chegando a ser incompreendido e rejeitado por conta de seu grande mural “Filosofia, Medicina e Jurisprudência”, que, feito sob encomenda da Universidade de Viena, jamais foi exibido e causou a demissão do ministro da educação. Fato marcante que talvez tenha sido o grande impulso na decisão do pintor de lutar pela liberdade no universo artístico.

Na Pinacothèque de Paris é este o cenário artístico reproduzido, contextualizado pelo período que antecede a Primeira Guerra Mundial. Mas ao espectador é preciso ficar claro que, entre as 195 obras expostas, de Klimt pouco se verá: Judith 1 (1901), Feux Follets (1903) e tantas outras telas anteriores à Secessão de Viena. Os murais, no entanto, que se tratam de reproduções dos originais de Klimt, chegam a impressionar (detalhes abaixo). Mas, verdade seja dita: não é Klimt.


Klimt Pinacoteca de Paris2

Klimt Pinacoteca de Paris_2

Klimt Pinacoteca de Paris_1

Klimt Pinacoteca de Paris1

Klimt Pinacoteca de Paris_ 1

Anote: Pinacothèque de Paris – 8, rue Vignon – 75009; seg/dom.  10h30/18h30; ingressos 12 euros; metrô Madeleine/linhas, 8, 12 e 14.

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