• Clau Gazel

Os franceses e os turistas: dicas de convivência


Há pouco mais de um mês recebi e-mail de um leitor que relatava um episódio que ocorreu com seu filho em Paris e que, por causa disso, jurava que não colocaria o pés na França. Perdi o tesão, disse ele. E me pedia para que eu contasse um pouco minha experiência aqui. Foi por isso que no início desta semana resolvi abordar o tema com os leitores, que contaram na nossa página do Facebook um pouco de suas passagens pela França. Também falei disso no programa Elas e Lucros da última quarta-feira. Algumas dicas podem te ajudar a querer voltar sempre. E a não perder o tesão nunca.

1. Restaurantes

1.1. O atendimento

Trata-se de um capítulo à parte e que merece ser entendido porque: 1. o número de garçons é infinitamente menor se comparado ao Brasil; 2. o garçom se organiza para fazer as coisas no tempo dele, de modo que ele dê conta de tudo. Ao chegar a um restaurante, aguarde na porta a pessoa que virá até você e te conduzirá até a mesa disponível. Uma vez sentado, aguarde o garçom. Em tese, ele olha quando todos na mesa terminaram o café e virá perguntar se deve trazer a conta. O mesmo raciocínio vale para todas as etapas da refeição. Logo, uma coisa que é preciso deixar para traz é a mania de levantar a mão para chamar o garçom. Não espere que ele venha e, ainda, dê-se por contente se não te der uma bronca. Ir à restaurantes aqui, portanto, é um exercício de paciência. Mas vale à pena, afinal, esse é o paraíso da gastronomia, não?

1.2. Horários

Se o estabelecimento fecha às 23h isso quer dizer que às 23h ele fechará as portas, os funcionários estarão prontos para ir embora, o caixa estará fechado etc. Não existe chegar as 22:45 e ser atendido simplesmente porque você entrou. E não se esqueça que a única garantia de atendimento é ter feito reserva.

2. A questão da língua

Há leitores que contam que se esforçavam para falar em francês e as pessoas daqui acabavam respondendo em inglês. Isso demonstra receptividade, porque ao perceber a dificuldade das pessoas com o francês, as pessoas se dispõem a falar inglês. Quando cheguei em Paris, em diversos casos se percebiam minha dificuldade com o francês, perguntavam quais línguas eu falava. Lógico que hoje, quando a pessoa não entende meu francês, eu peço desculpas e começo de novo, em francês. Afinal, eu moro aqui e não tenho interesse em falar inglês.  Talvez aquela máxima de que francês não fala inglês, tenha ficado perdida em algum lugar do passado.

3. A receptividade

Duas leitoras comentaram que, ao demonstrar que estavam precisando de ajuda, foram prontamente ajudadas. Eu só tive experiências positivas nesses 6 meses. Mas é preciso fazer algumas considerações. Há uma diferença cultural enorme entre brasileiros e franceses. Nós, brasileiros, confundimos receptividade com intimidade. Aqui, você não trata o garçom ou o atendente da loja por “você” (tu, em francês). Ele não é seu amigo, vocês não  são íntimos. Logo, o ideal é utilizar monsieur e madame. “Bonjour, Monsieur”. As coisas já começam de um outro jeito. Bom dia, por favor e obrigado são palavras mágicas em qualquer língua. Mas aqui vai um pouco além. O Monsieur é indispensável. Formal para nós, educado para eles. E ainda há uma distância física a ser respeitada. Contato físico é para pessoas muito íntimas. Logo, um conselho: não puxe as pessoas pelo braço para pedir informação ou para ser atendido em um restaurante ou uma loja, pois você corre o risco de levar uma patada daquelas. Por último: fale baixo, respeitando as pessoas que estão ao seu redor. E lembre-se que não tem certo ou errrado. Trata-se de diferença cultural cuja compreensão tornará as coisas mais fáceis para você.

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