• Clau Gazel

Paris para ler: L’élégance du hérisson, de Muriel Barbery

Sempre que eu posso, gosto de compartilhar aqui minhas dicas de leitura, especialmente quando é um livro cuja história se passa em Paris.


L’élégance du hérisson  – a tradução de hérisson é porco-espinho, mas no Brasil o livro ganhou o nome de A Elegância do Ouriço – tem uma tipo de narrativa bastante interessante, em que duas pessoas se alternam. A história se passa em um imóvel de classe alta, obviamente localizado num bairro privilegiado, qual seja, o 7e arrondissement de Paris. Dois olhares distintos se debruçam sobre a vida que se leva ali. De um lado, Renée, a zeladora portuguesa, culta como poucos, que esconde sua personalidade para se moldar ao que a sociedade e, especialmente, os moradores do prédio esperam dela: limpar as escadarias, regar as plantas, receber encomendas, entregar o correio e, se possível, sorrir. Entre quatro paredes, Renée dedica seu tempo a enriquecer o espírito: ouve música clássica, discute Marx, lê Tolstoy e o que mais aparecer pela frente. De outro, Paloma, adolescente de 12 anos que, não suportando a arrogância e a futilidade da burguesia que a cerca, está praticamente decidida a se suicidar. E o que ambas tem em comum além do repúdio aos valores – ou a falta deles – dessa alta sociedade parisiense? A maneira que encontraram para enfrentar essa realidade, escondendo-se. Conforme a história se desenvolve, as narrativas de Renée e de Paloma se encontram e as duas passam a compartilhar parte de seus dias, de suas vidas e de suas angústias. E estas serão minimizadas com a chegada de um novo morador ao prédio, Kakuro Ozu, que além de novos ares, traz esperança à desiludida adolescente e à truculenta e intocável zeladora.

É um livro para se emocionar, para refletir sobre os valores da sociedade contemporânea, os preconceitos, as futilidades e, sobretudo, para se questionar se é possível escapar ao destino que essa própria sociedade diz ter reservado para cada um. Anote: L’élégance de l’hérisson;  Muriel Barbery; Gallimard; 2006; 416 páginas. Também existem em edição de bolso (ed. Folio). Muriel Barbery também é autora de Une Gourmandise, que também devorei (leia mais aqui).

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