• Clau Gazel

Take, I ‘m yours: e exposição onde tudo deverá desaparecer

Sucesso imenso em 1995 na Serpentine Gallery de Londres, a exposição Take, I ‘m yours está de volta. Desta vez na capital francesa, a exposição ocupa desde o última dia 16 de setembro uma dezena de salas do magnífico prédio da Monnaie de Paris.

A exposição coletiva idealizada há 20 anos pelo artista plástico francês Christian Boltanski e  pelo crítico e historiador suíço Hans Ulrich Obrist reúne diversas gerações de artistas em torno de uma temática principal: a relação entre o público e a obra de arte e a eliminação da barreira que existe entre ambos. Ao contrário do que se imagina conceitualmente de uma exposição, ali  praticamente tudo está ao alcance do visitante, que passa a estabelecer um novo contato com a obra, que pode ser tocada e sentida. O papel de mero espectador deixa simplesmente de existir, já que as obras de arte só funcionam com a participação ativa do público, seja para dispersá-la além dos muros do local da exposição, seja para destruí-la através do consumo ou ainda para agregar valor e sentido à instalação imaginada pelo seu criador. O visitante, antes passivo, exerce um papel decisivo no processo criativo, já quem sem ele a obra de arte resta inacabada ou até mesmo sem vida.

Entre os artistas que participaram da edição inicial da exposição (Serpertine Gallery 1995) estão Maria Eichhorn, Hans-Peter Feldmann, Jef Geys, Gilbert & George, Douglas Gordon, Christine Hill, Carsten Höller, Fabrice Hyber, Lawrence Weiner, Franz West.

Novos artistas se juntaram à eles nesta versão atual: Etel Adnan & Simone Fattal, Paweł Althamer, Kerstin Brätsch & Sarah Ortmeyer, James Lee Byars, Heman Chong, Jeremy Deller, Andrea Fraser, Gloria Friedmann, Felix Gaudlitz & Alexander Nussbaumer, Jonathan Horowitz, Koo Jeong-A, Alison Knowles, Bertrand Lavier, Charlie Malgat, Angelika Markul, Gustav Metzger, Otobong Nkanga, Roman Ondak, Yoko Ono, Philippe Parreno, point d’ironie (agnès b.), Sean Raspet, Ho Rui An, Takako Saito, Daniel Spoerri, Wolfgang Tillmans, Rirkrit Tiravanija, Amalia Ulman, Franco Vaccari, Danh Vo.

Abaixo segue uma pequena ilustração de parte das obras. Mas acredite: elas não tem o intuito de substituir o que você pode sentir lá dentro.

Dispersion (1991/2015 – Christian Boltanski – na foto abaixo com sua obra): leve uma peça de roupa para casa, seja para você ou para fazer uma doação. Se você vai usar ou guarda a calça jeans de segunda-mão, pouco importa: a obra de arte está disseminada.





Postcards ( Hans-Peter Feldmann): uma sala inteirinha coberta de cartão de visita com a imagem da torre Eiffel. Bem ao centro, uma mesa com torres em miniatura. É escolher e levar para casa. Depois de dar uns suspiros, é lógico.





Sem título (Felix Gonzalez-Torres): um imenso tapete de balas azuis, que serão degustadas uma à uma até o desaparecimento completo da obra. Essa é, nas palavras do artista, a responsabilidade do público, tornar-se parte de sua obra.



The banners (Gilbert & George): 6 frases reproduzidas em broches, que estão à disposição do público.




Franco Vaccari: o artista instalou numa sala uma máquina de fotos instantâneas. Para quem se encorajar (1 euro), uma cópia vai para casa e outra fica na parede, entre as diversas repetições da frase “NAU EM I ART BILONG YUMI”(A arte hoje pertence à todos). A ideia é utilizar a foto como ação e não como contemplação. O que importa é o ato de participar.




Anote: Monnaie de Paris; 11 Quai de Conti – 75006; seg/dom. 11h/19h (qui até 22h); de 16.09.2015 a 08.11.2015; 12 euros; metrô Pont-Neuf (linha 7).

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