• Clau Gazel

Zeng Fanzhi: arte asiática contemporânea no MAM de Paris


Masks Zeng Fanzhi

Mask series n. 06 – 1996

ela primeira vez em sua vida o chinês de 49 anos Zeng Fanzhi expõe em Paris. Uma retrospectiva completa de sua obra foi organizada pelo Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris. São 40 telas produzidas entre 1990 e 2012 e que podem ser vistas de 18.10.2013 a 16.02.2014 no MAM. Mesmo se expostas em ordem inversa à de sua produção, ou seja, da mais atual à mais antiga, para compreender o processo evolutivo da arte de Zeng, é preciso entendê-la em ordem cronológica.

O conjunto de obras de Zeng Fanzhi é de uma complexidade evidente que decorre da diversidade de temas abordados e técnicas empregadas. As obras mais antigas que podem ali ser vistas datam do início dos anos 90, quando o pintor mal havia deixado a Escola de Belas Artes de sua cidade natal, Wuhan. Trata-se do conjunto de telas denominado “Hospital Triptych n. 02” de 1992, referência à um período árduo da infância de Zeng em que ele frequentava o Hospital de Wuhan para usar o banheiro, já que no dormitório onde morava não havia um. As telas tem nítido caráter expressionista; o sofrimento, a dor, a esperança ou a falta dela estão ali, nos rostos e corpos dos doentes, na expressão de pena ou compaixão dos médicos e enfermeiros.


zeng_fanzhi_hospital_triptych_no.2

Foi uma série anterior a esta, denominada “Hospital Triptych n. 01”, que Zeng apresentou como trabalho de conclusão de curso de graduação. Tendo sido fotografadas, suas telas acabaram caindo na imprensa e foi assim que o artista pode vendê-las a um galerista de Hong Kong, Johnson Chang. A soma oferecida foi de 2 mil dólares por cada uma das três telas. E o momento foi decisivo na carreira do pintor: não pelo dinheiro, mas sim por que foi a partir daí percebeu que poderia viver do seu trabalho, de sua arte. Estabeleceu-se então um sentimento de confiança, antes desconhecido pelo artitsta, que o impulsionou seguir seu caminho.

Já próximo à metade dos anos 90 o pintor passa a usar máscaras em suas telas; os personagens são retratados usando máscaras bem semelhantes, na maioria das vezes com um largo sorriso estampado no “rosto”. Essa repetição e esse sorriso forçado constituem uma referência à ocidentalização da China no fim dos anos 90, onde uma felicidade artificial invade o país em detrimento de sua identidade, e cada indivíduo deixa de existir enquanto tal e, perdendo-se nos novos parâmetros e valores ocidentais que lhe são impostos pela sociedade de consumo, passa ser apenas mais um rosto, mais um número.


Máscaras_Zeng Fanzhi

Mask series n. 3 – 2005

Já nos anos 2000 um novo estilo, uma nova fase se identifica na obra de Zeng Fanzhi. Paisagens cheias de movimentos são retratadas con traços leves e rápidos, e um mistério advém da escolha de cores claras, que trazem alguma luz em meio à escuridão. São em telas desta época, como Hare – 2012 e Night – 2005 (imagem abaixo), que Zeng utiliza uma técnica bastante curiosa e particular. Com a mão direita, ele segura dois pincéis: um deles, sustentado pelo dedão, o indicador e o dedo médio,  é o guia, responsável pelo desenho imaginado pelo pintor; o outro, colocado entre o dedo médio e o anelar, é livre, e responsável pelo toque de abstração presente nessas telas.


Zeng_Fanzhi_Night

Night – 2005

Provém desta técnica o choque, o espanto e o encantamento causado ao entrar no MAM e se deparar com a tela em tamanho gigantesco, posicionada do lado de fora, bem ao lado da porta de entrada da exposição. Ela é, de fato, um belo convite à conhecer a complexa e intrigante obra de Zeng Fanzhi.


zeng fanzhi_entrada MAM

Anote: Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris; 11, avenue du Président Wilson – 75016; metrô Alma-Marceau ou Iéna (linha 9); ter/dom. 10h/18h e qui. até 22h; ingressos 7 euros, que podem ser adquiridos antecipadamente pelo site no museu. Aproveite também para conhecer a coleção permanente do museu (leia mais aqui).

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