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  • Writer's pictureClau Gazel

VIAGENS DE CLAUDIA – Elas e Lucros n. 15

Paris, je t’aime

Numa paixão renovada a cada viagem à cidade, a descoberta de sabores, cores e locais inusitados


Eu me apaixonei por Paris. E olha que não foi no calor e na luz das tardes intermináveis de verão. Nem no alegre colorido da primavera ou na melancolia dourada do outono. Era inverno e fazia frio. Como fazia frio! Dezembro de 1997, eu tinha apenas 19 anos. Boba, uma menina boba, babando, caidinha pela Cidade Luz. E ela parecia não estar nem aí para mim. Ou me testava. E me recebeu com uma garoa fina e um vento de gelar os ossos. Debaixo daquele chuvisco ingrato, eu dava voltas intermináveis em rotatórias que pareciam multiplicar por 100 o número de ruas, cujos nomes me confundiam mais ainda. Num esquema insano, subi as escadas da Notre Dame, do Arco do Triunfo e da Sacre Coeur. Depois fui descobrir que no Arco tinha elevador e que a vista de cima da Sacre Coeur é a mesma que se tem quando se está na porta de entrada da igreja. Definitivamente estava sendo testada. Jurei nunca mais subir a pé em pontos turísticos. E passei a virada de ano na Avenida Champs Elysées, num tumulto infindável de onde ecoavam gritos e partiam algumas garrafas. Mas depois teve a Torre Eiffel, que me fez sentir um nó na garganta, o qual só foi desfeito depois de me deliciar com um maravilhoso crepe de Nutella com banana ali mesmo, a um preço que não foi de banana, mas que nem de longe ameaçou minha felicidade. O tempo se abriu e passei pelos jardins de Tuleries, perambulei pelo Museu do Louvre e pelo Museu d’Orsay. Comi doces “marravilhosos” e conheci o Monsieur Crêpe, ou melhor, crêpe monsieur. Mas a semana chegou ao fim e, com a despedida, percebi que estava completamente apaixonada. Saí de lá com um céu cinza e uma tempestade que causou a maior turbulência que enfrentei na vida. O avião tremia, eu tremia, e meu coração já pertencia a Paris. Quase oito anos se passaram até que eu retornasse a Paris, em 2005. Dessa vez, era outono, e a ela me esperava diferente. Novas surpresas me aguardavam. Hospedei-me no Quartier Latin, fiz piquenique no Jardin des Plantes e tomei chá de menta na Mesquita de Paris. Perambulei pela Rue Mouffetard e andei de barco pelo Sena. Comi cachorro-quente no Jardin des Tuileries e passei na Avenida Champs Elysées. Conheci o Jardim de Luxemburgo e caminhei sobre as folhas secas, recém-caídas de suas árvores. Andei a esmo na beira do Sena e explorei a charmosa Ilha Saint-Louis. Comprei baguete e andei com ela debaixo do braço. Parti ainda mais apaixonada, pensando quanto aguentaria até o próximo encontro. Em apenas um ano eu estava de volta, também no outono. Andei pelo bairro Marais e me maravilhei com a Place des Vosges. Fiz piquenique no Jardim de Luxemburgo. Percorri a cidade de Montmartre a Montparnasse atrás de famosos pães e baguetes. Peguei fila no Pierre Hermé para comer o melhor macaron (biscoito típico) da minha vida, sabor chocolate com maracujá. Conheci a Grande Epicerie, o supermercado dos meus sonhos. E mais uma vez enfrentei a triste despedida. Retornei em 2008, na primavera. Desta vez sozinha, nos aproximamos ainda mais, e Paris e eu nos tornamos mais íntimas. Hospedei-me no Marais e fui à feira na Bastille, no Boulevard Richard-Lenoir. Comi escargot na Ilha de Saint-Louis e me perdi em meio às compras na BHV (Bazar de l’Hôtel de Ville). Jantei ao pôr-do-sol na Place des Vosges. Vi de perto a festa do 1º de Maio e as comemorações pela chegada da primavera. Suspirei deliciosamente numa sauna ótima perto do Pompidou, o Le Bain du Marais. Vi uma exposição magnífica de Camille Claudel no Museu Rodin. E parti. Mas dessa vez eu estava mais segura e confiante no relacionamento: não havia dúvidas de que Paris e eu tínhamos tudo para dar certo. Hoje escrevo este texto entre arrumações de malas, listas infindáveis de providências e e-mails de despedidas. Obra do destino ou não, Paris me aguarda. Decisão madura, fruto de uma paixão enlouquecedora. Paris, je t’aime!

Obs.: As Viagens de Claudia continuam. E dicas completas de Paris já estão no blog A Viagem Certa – www.aviagemcerta.com.br.

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