• Clau Gazel

Queria ser francesa…mas vou me virando.


Há uma verdade incontestável: eu queria ter nascido francesa. Imagine só: “Je suis française!” A frase soa bem agradável, mas não é este simples fato que me agrada, mas tudo mais que vem com ele. A primeira sobremesa da minha vida poderia ter sido creme brullée!!! Sim, o creme da casquinha crocante de açúcar, que a Amélie Poulain, milhares de pessoas e eu adoramos quebrar! Aliás, já reparou, com a concentração e dedicação necessárias que o ato exige, o movimento da casquinha se afundando e o creme subindo, invadindo a superfície? Que delícia! E galettes bretonnes?!? Ah, eu teria aprendido a pedir isto à minha mãe antes mesmo de dizer “mãe”. Você já experimentou essa bolacha magnífica, típica da Bretanha, feita de manteiga?!? Vai viciar … todo mundo que eu conheço que experimentou, viciou!! Não precisariam se passar 20 anos para que eu descobrisse a mostarda dijon. Nem mais dez pra eu saber que a mostarda dijon com limão, azeite, sal e um pouquinho de vinagre tem um sabor inigualável e transforma qualquer saladinha num banquete. Eu comeria magret de canard ao menos duas vezes por semana e Tarte Tatin todo fim-de-semana … e sem o sorvete de creme que os brasileiros teimam em servir junto … acaba com a torta! Aprenderia antes mesmo de saber escrever que omelete pode ser um prato, e não apenas um quebra-galho. Chevre!!!! Chevre!!!! Chevre no café da manhã, no omelete, no croque mousieur, na torrada, na massa, na torta, na quiche!!! Sim, chevre sempre! Aliás, omelete de chevre com aspargos frescos é um prato maravilhoso e rápido de fazer! Talvez eu até tivesse me interessado por ostras … hoje não dá, pra mim não desce. E eu iria praticamente morar num bistrô ou num café, em Paris, lógico! Queria ser habitué, ter minha mesinha preferida, chamar o garçon pelo nome e pedir “o de sempre”. Compraria os melhores ingredientes para a torta, o brullée e o omelete na quitanda do bairro e, lógico, voltaria pra casa com a baguete debaixo do braço! Enfim, hoje eu poderia sentir na pele o que Hemingway um dia disse: “Se você quando jovem teve a sorte de viver em Paris, então a lembrança o acompanhará pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa ambulante.”

Por enquanto, continuo por aqui, dando os meus rolês gastronômicos pela cidade. Na quarta-feira, menu francês no almoço e no jantar. Filé ao Poivre e creme brullée no almoço, no Ça Va Bristrô (www.cavacafe.com.br), ao som de Piaf … À noite, quiche de chevre, no La Tartine, com direito a acordeon e Yan Tiersen . Ambos são altamente recomendáveis: a comida é muito boa e o ambiente é tão francês que, mesmo depois de chegar em casa à noite, podia jurar que tinha estado em Paris!!!

Prepare o bolso: Ça-Va – R$100,00 por pessoa, com vinho, couvert, prato principal e sobremesa. Questione sobre o menu do dia durante a semana, que é uma opção mais barata. La Tartine – R$60,00 por pessoa, com vinho, entrada, prato principal e sobremesa. Aproveite e dê um pulinho na loja “Loja”, que fica ao lado: há vários itens interessantes, vindos de diversos países.

Receitas que eu recomendo: Creme brullée http://www.olivieranquier.com.br/receitas/receita.php?id=298 Croque Monsieur http://www.olivieranquier.com.br/receitas/receita.php?id=82

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